Mortes em investigação por febre amarela em MG podem ampliar ainda mais o surto

Com 44 óbitos em apenas um mês, Minas ultrapassa em 10% o recorde já registrado pela doença em todo o país durante um ano inteiro. E ainda há 72 casos fatais em análise

O surto de febre amarela silvestre que atingiu ontem a marca de 44 mortes confirmadas em Minas Gerais já é o mais letal da história do país desde o início dos registros, em 1980, quando começou a série histórica de acompanhamento da doença pelo Ministério da Saúde. Antes do balanço de ontem da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o atual quadro já se igualava ao de 2000, até então o ano mais letal para a doença em todo o Brasil, com 40 mortes.

O surto de febre amarela silvestre que atingiu ontem a marca de 44 mortes confirmadas em Minas Gerais já é o mais letal da história do país desde o início dos registros, em 1980, quando começou a série histórica de acompanhamento da doença pelo Ministério da Saúde. Antes do balanço de ontem da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o atual quadro já se igualava ao de 2000, até então o ano mais letal para a doença em todo o Brasil, com 40 mortes.

A maioria dos pacientes teve início dos sintomas entre 8 e 14 de janeiro. Dos diagnósticos confirmados, 87% são de homens e 13% de mulheres. A maioria das mortes vitimou pessoas com idades entre 30 e 59 anos – 34 no total. Foram registrados óbitos de sete pessoas com mais de 60 anos e três entre jovens de 20 a 29 anos.

Na avaliação do infectologista Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, os números de casos e mortes mostram que a situação é grave. “Com o estado enfrentando o pior surto do país desde 1980, é possível concluir que vários fatores contribuíram. Nunca é uma falha só”, afirma. Mas, como principal razão para o avanço da doença, ele cita a falta de proteção vacinal. Considerada a medida mais eficaz contra a propagação da febre amarela, a imunização deixou a desejar em Minas na última década (2006/2016), quando o percentual de pessoas protegidas chegou a apenas 49%. “A cobertura ficou aquém do necessário, porque é preciso entre 70% e 75% para barrar qualquer surto. Com 49%, tínhamos uma situação de risco”, disse.

Ele cita ainda a insuficiência de ações de vigilância e vê na crise econômica um fator a mais de vulnerabilidade. O especialista acredita que as ações de controle da doença que vêm sendo adotadas pelo governo do estado e pelo Ministério da Saúde devem surtir efeito nos próximos dias, mas alerta que fica a lição para os próximos anos. “É preciso fazer uma autocritica para ver o que falhou.”

Até ontem, 3,4 milhões de doses de vacina febre amarela foram distribuídas para atender às áreas de intensificação vacinal e rotina de vacinação em Minas. Dessas, já foram aplicadas 1,7 milhão de doses, sendo 1,1 milhão nos municípios com casos.

Fonte:uai.com

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