MORADORES LUTAM CONTRA DEMOLIÇÃO DE IGREJA EM ESMERALDAS

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A derrubada do imóvel foi determinada pela Justiça em processo de reintegração de posse

Moradores do Bairro Serra Verde formam comissão contra decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que concedeu reintegração de posse do terreno onde fica a Igreja de Nossa Senhora Aparecida a uma imobiliária, no mês passado. Na ação, determinou-se que a igreja, construída pela comunidade da região, seja demolida e o terreno limpado em até 30 dias. A Arquidiocese de Belo Horizonte, representante jurídico da paróquia, já entrou com recurso para reverter a sentença inicial.

O processo de reintegração de posse foi movido por um dono de imobiliária de Contagem, na Grande BH, que alega ter a escritura do terreno. Assim como o homem, a arquidiocese também afirmou ter os documentos, já anexados ao processo, que legitimam a doação do terreno pelo seu antigo dono, o fazendeiro Valdemiro Muniz, em 1994, mesmo ano em que começaram as edificações da capela.

Construída há 25 anos, a Igreja de Nossa Senhora Aparecida foi erguida por moradores do bairro que careciam de um espaço católico ali, como conta Ilza Helena Silva, de 46 anos, recepcionista e uma das integrantes da comissão “Diga Não à Demolição”. “Para nós, este lugar é tudo. Perder este terreno é perder o chão. Erguemos a igreja com muita luta e batalha, buscando dinheiro de casa em casa”, relembra Ilza.

Os materiais para construir um muro ao lado da igreja foram doados e quando a comunidade ia colocar a obra em ação, chegou a notícia da reintegração de posse definida em primeira instância pelo TJMG. O pároco da igreja, o português Joaquim Fonseca, de 61, contou que embora trabalhe há menos de um ano no lugar, percebe o carinho dos moradores do bairros pelo espaço.

“Aqui não é só uma capelinha. O Serra Verde é um bairro grande e muito vivo culturalmente. A comunidade é animada e até os que não são fiéis usam os salões, salas e o terreno à volta para trabalhos sociais, festas, ponto de encontro e mais”, explicou o pároco. Entre os trabalhos, destacam-se as oficinas de pintura e as aulas de alfabetização infantil, que atendem o público da região de modo amplo.

Ali, durante dois anos, funcionou um posto de saúde, que mais tarde foi transferido para outro imóvel também no bairro, segundo Ilza. “Para além do valor católico, há um valor soial. Seria trágica a perda. A comunidade está reagindo de maneira firme e nós vamos ocupar a igreja, impedindo que a derrubada ocorra”, acrescentou o padre.

Fonte:uai.com

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