CRACK SE ESPALHA POR PEQUENOS MUNICÍPIOS MINEIROS E INVADE ZONA RURAL

15/06/2017 Credito Luiz Ribeiro/EM/D.A Press. - Assunto: Consumo de Crack - Na foto: internos em horta dacomunidade terapeutica Casa de Israel, na zona rural de Montes Claros: luta para vencer o vicio do crack

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Efeitos devastadores da pedra se somam a pobreza, seca e falta de infraestrutura de regiões como o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha

Epidemia fora de controle em Belo Horizonte, onde a rede de atenção aos usuários é reconhecidamente insuficiente, o crack, que deixou há muito de ser problema das capitais, já não se restringe às maiores cidades do interior e se alastra por pequenos municípios, inclusive na zona rural.

Nesses lugares, a venda e o consumo da pedra proliferam à sombra da menor repressão policial e fazem dependentes que contam com uma estrutura ainda menor na saúde pública, menos apoio de entidades assistenciais do terceiro setor e capacidade inferior das famílias e do próprio poder público para enfrentar um drama para o qual nem as grandes economias do país têm resposta. A realidade cobra um preço ainda mais caro em regiões como o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha, onde o flagelo do consumo da droga se soma ao desemprego, à pobreza e à seca, desafios históricos dessas regiões.
A pedra vem encontrando terreno fértil para prosperar em especial em municípios da região que contam com plantios em projetos de irrigação, como Janaúba e Jaíba. Um avanço que se revela em situações como a do trabalhador rural Fabrício (nome fictício), de 37 anos, que tenta se libertar do vício em uma comunidade terapêutica em Montes Claros. Ele teve o primeiro contato com drogas aos 16 anos. Começou usando maconha e passou para cocaína. Com 24 conheceu o crack e a dependência saiu do controle. Natural de Janaúba, onde vivia na área urbana, ele relata que trabalhava em colheitas de banana e passou a intercalar o consumo com o serviço nos perímetros irrigados da região. “No começo eu trabalhava durante o dia e fumava à noite”, conta o lavrador, revelando que conhece outros colegas de lavoura que também se tornaram dependentes.

Para conseguir se manter no emprego, Fabrício conseguiu disfarçar o vício durante certo tempo. Mas conta que foi ficando cada vez mais dominado pela droga. “O crack é muito envolvente. Dá muita sensação de prazer na hora do uso e a pessoa não quer parar mais”, relata o trabalhador rural, revelando que chegou a fumar 60 pedras do entorpecente em três dias. Nessa altura já não era mais possível disfarçar. “Acabei perdendo oportunidades de emprego. As pessoas não confiavam mais no meu trabalho”, conta. Sem serviço, ele se afundou mais e mais no vício. “Passei a carregar as coisas de dentro de casa e a roubar para comprar pedra. Cheguei a ser preso por roubo e fiquei 30 dias trancado”, relata.

O trabalhador rural conta que em 2012 foi encaminhado para o centro de recuperação em Montes Claros. Após nove meses de tratamento, saiu “limpo”. No entanto, ao retornar a Janaúba teve uma recaída. Há dois meses Fabrício chegou à comunidade terapêutica onde está atualmente. Afirma que está conseguindo viver longe do crack e se mostra confiante em conseguir se livrar da dependência, graças à força de vontade e à fé. “Busco sempre Deus. Sem a presença de Deus a gente não consegue largar o vício”, afirma.

Fonte:uai.com

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