ANÁLISE: ESTRATÉGIA EFICIENTE E BANCO DECISIVO LEVAM GALO AO 44º TÍTULO MINEIRO

Assim como no primeiro jogo, Roger Machado vence duelo tático contra Mano Menezes; três volantes funcionam, e alterações no 2º tempo do clássico dão certo

 

Classico é sempre assim: começa muito antes e termina muito depois. Valendo título, ainda mais. Desde o primeiro jogo da finalíssima do Campeonato Mineiro, o mistério esteve presente na disputa. Como Roger Machado escalaria o Galo? E do outro lado, como Mano Menezes armaria o Cruzeiro? As estratégias foram reveladas em campo, e o Atlético-MG levou a melhor. No Mineirão, se defendeu bem e segurou o 0 a 0. No segundo jogo, no Horto – partida que será analisada agora -, jogou com três volantes, mas não teve nada de segurar o 0 a 0. Roger já havia avisado. O Galo jogaria com a vantagem, não por ela. Não deu outra. Jogou para vencer e venceu – muito bem – o clássico. Foi a prova que a estratégia deu muito certo. E Roger, agora, pode comemorar o primeiro título da carreira como treinador.

 

Durante a semana, a principal expectativa em relação à escalação atleticana era em relação a Otero. O venezuelano foi um dos destaques individuais do time na vitória por 5 a 1 pela Libertadores, no meio de semana, contra o Sport Boys, e “cavou” uma vaga na escalação titular do clássico. A possibilidade se confirmou – o meia ganhou a vaga de Marlone -, mas não foi a única novidade em relação aos jogadores que atuaram no primeiro clássico, no Mineirão. Roger Machado optou, na finalíssima, por mandar três volantes a campo, assim como foi na Bolívia. Adilson entrou no lugar de Maicosuel.

Com isso, o Galo teve mais equilíbrio entre defesa e ataque e povoou o meio de campo. No primeiro gol, por exemplo, Henrique dominou no meio-campo celeste e, pressionado por Adilson e Carioca, tentou o passe para Arrascaeta. Leonardo Silva antecipou, roubou a bola e entregou para Robinho. O camisa 7 fez grande jogada, contou com bela participação de Fred e marcou o primeiro gol atleticano, aos 12 do primeiro tempo.

Benefícios

Outro ponto positivo dos três volantes: Rafael Carioca e Elias tiveram mais liberdade para atacar. Se deu certo? O autor do segundo gol atleticano, o gol do título, evidencia que sim. Elias balançou as redes de Rafael e sacramentou a vitória.

O esquema deu certo, mas o Atlético-MG teve um momento tenso no jogo. No início do segundo tempo, o Cruzeiro foi quem voltou melhor. Mano Menezes colocou Ábila no jogo, e o argentino deu trabalho. Aos sete minutos, recebeu de Rafinha na área e marcou um golaço, deixando tudo igual no placar: 1 a 1. O rival cresceu e estava mais próximo do segundo gol que o Atlético-MG. O Galo estava “correndo atrás” da bola, já que o Cruzeiro tinha a posse na maior parte do tempo – no jogo, esteve com ela em 62% do tempo.

Na saída para o intervalo, inclusive, Rafael Sobis disse que, no segundo tempo, o time alvinegro sofreria de cansaço, porque estava correndo muito mais. De fato, Sobis estava certo: o Atlético-MG sofria e precisava de sangue novo. Foi aí que Roger deu o “xeque mate”.

 

Com a formação que mandou a campo no início do jogo, além de ganhar equilíbrio e segurança no meio, Roger manteve alternativas no banco de reservas. Marlone, Maicosuel, Cazares… todos eles estavam ali, de “tanque cheio” – como gosta de dizer o técnico atleticano -, prontos para mudar o jogo. Maicosuel e Cazares entraram descansados e foram decisivos. O “Mago” fez boas jogadas, venceu disputas individuais contra defensores celestes e inibiu as saídas dos laterais adversários, mas quem realmente fez toda a diferença foi o equatoriano. No primeiro lance em campo, Cazares driblou dois marcadores, invadiu a área e cruzou bem – faltou pouco para encontrar Fred, que só teria o trabalho de empurrar para o gol.

No segundo lance, depois de receber de Marcos Rocha – outro que merece menção honrosa pela garra e pelo equilíbrio em campo -, avançou pelo meio e deu assistência na medida para Elias. Como um elemento surpresa e com liberdade para atacar em função da segurança que o esquema proporciona, o volante dominou e fez o que já provou, em toda a carreira, que faz com eficiência: gol.

 

Com o 2 a 1 no placar, o título ficou muito próximo. O jogo ficou tenso, teve um expulso para cada lado – Rafinha e Adilson – e uma ou outra chance nos minutos finais, mas não deu outra: Galo campeão. A qualidade do elenco fez a diferença, a torcida também, a vantagem conquistada na primeira fase foi essencial, mas o “jogo de xadrez” decidiu o Campeonato Mineiro. E a taça vai para Lourdes.

Fonte:globo.com

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